Quando as ações de comunicação puxam pelo que de melhor têm os adeptos de futebol

O futebol é um dos desportos mais populares do mundo, mobilizando milhões
de pessoas em
todo o mundo, mesmo em vários países sem muita tradição
neste desporto. Não é por isso de admirar
que marcas e organizações se «sirvam»
das emoções do desporto rei para as suas ações de comunicação.

 

Celebração dos golos

A BETC Paris desenvolveu para o Canal+ um spot de vídeo que mostra que a celebração de um golo é tão empolgante que serve mesmo de combustível para os adeptos (saber mais). Ora vejam:

 

Alterações no calendário

E se num clássico brasileiro como o PalmeirasxSantos, no Estádio do Pacaembu, entrassem em campo as equipas do São Paulo e Corinthians?! Isso mesmo. A companhia de seguros Zurich fez subir ao relvado sósias de jogadores dessas equipas antes do jogo oficial para surpreender os adeptos. Após algumas assobiadelas, a companhia de seguros revela a mensagem: “Ainda não inventamos seguro contra alterações no calendário. Mas você pode contar com a Zurich Seguros para cuidar dos seus bens, da sua vida e do seu futuro.”

 

Apoio à equipa

Conhecida pela sua força dentro da La Bombonera, e por não parar de apoiar a equipa durante 90 minutos, a claque de apoio do Boca Juniors passou por uma espécie de teste para mostrar que não é apenas na sua «casa» que faz o estádio tremer. A responsável pelo desafio foi a Nike, patrocinadora oficial do clube, que instalou um sismógrafo no setor destinado aos do Boca no estádio Bicentenário, em San Juan, durante a final da Copa da Argentina, disputada entre Boca Juniors e Racing. O sismógrafo registou um pico mais alto de 6.4 na escala Richter, que pode provocar danos graves, logo após o primeiro golo da partida.

 

Momentos de campeões

Para celebrar o início da tour da taça da Liga dos Campeões 2012, a Heineken proporcionou a um grupo de fãs de futebol o momento das suas vidas. Ao entrarem no quarto de hotel eram surpreendidos com uma presença inesperada; nada mais, nada menos do que a taça que seria entregue aos vencedores da Liga dos Campeões 2012, proporcionando reações de verdadeiros campeões:

 

Disputas fora do campo

Em vésperas do início do Mundial de Clubes da FIFA no Japão, a Nike decidiu mandar uma mensagem, em nome do Corinthians, ao Chelsea. Depois de alguns adeptos do Chelsea virem a público dizer que não conhecem o clube brasileiro, a Nike respondeu através de um outdoor que foi instalado a apenas 2 km do estádio Stamford Bridge, a casa do Chelsea (saber mais). Uma ação bastante arrojada, ainda mais considerando que o Chelsea tem patrocínio da Adidas.

O melhor presente da vida: campanhas de sensibilização para a doação de órgãos

 

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Se há assunto a que sou sensível é a doação de órgãos. É graças a muitas pessoas generosas, seja em vida ou pós-morte, que muitos de nós ainda têm junto de si os seus familiares e amigos. Mas a verdade é que nunca é suficiente. No mundo inteiro há uma grande falta de doadores e isso faz com que surjam grandes listas de espera. Daí que, todos os anos, várias organizações sem fins lucrativos se desdobram em campanhas de sensibilização para a doação de órgãos.

 

A imagem à esquerda é um desses exemplos. Trata-se de anúncio de imprensa da organização Reborn To Be Alive que usou, de forma inteligente, a secção de obituários dos jornais para passar a mensagem:Um dador de órgãos pode salvar até 8 vidas”.

 

Poucos dias depois fui surpreendida com um vídeo em stop motion produzido por alunos de Publicidade da Universidade de Caxias do Sul, do Rio Grande do Sul no Brasil. Este vídeo utiliza o maior ícone dos jogos de vídeo de todos os tempos – Super Mario –, e os seus truques para «ganhar vidas», para alertar para a importância da doação de órgãos, deixando a mensagem: “Heróis nunca morrem. Doar órgãos é doar vida!”.

 

Este vídeo criativo fez-me lembrar uma ação que vi há uns tempos desenvolvida pela agência Young&Rubicam Brasil no início de 2012, para a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, numa tentativa de mostrar às pessoas a sensação de se esperar anos numa fila por um transplante de órgãos. A ideia foi substituir as senhas convencionais de diversos locais de atendimento por senhas, como as filas no talho ou no posto dos CTT, com números reais de quem espera para receber um órgão.

 

As reações das pessoas a esta ação foi tão impressionante que dei por mim a pesquisar outras campanhas de sensibilização para a doação de órgãos e encontrei algumas dignas de referência. Como por exemplo, a campanha da Santa Casa de Misericórdia de Cachoeiro de Itapemirim, em 2010, que pega na árvore geneológica para explicar que ao doarmos órgãos podemos permanecer em outra vidas, viver outras histórias (ver vídeo). Encontrei também um comovente vídeo de uma campanha da Santa Casa da Misericórdia no Brasil em que um cãozinho reconhece algo que lhe é familiar numa pessoa desconhecida que vai a passar na rua, lembrando que “When you donate an organ, a part of you keeps alive. Be a donor.”. E falo ainda de uma campanha de 2011 da organização Donate Life Illinois que mostra (ver vídeo) que “You don’t have to be a superhero to save lives”.

 

Pequenos mensageiros, grandes mensagens: quando as crianças se metem nas conversas dos adultos

 

Esta semana fiquei maravilhada com uma ação publicitária da Thai Health Promotion Foundation, desenvolvida recentemente pela Ogilvy Tailândia, que pôs crianças a ajudar os fumadores a largar o vício. As crianças abordavam adultos na rua que estivessem a fumar e pediam-lhes lume para acender um cigarro. Os adultos prontamente recusavam, alertando as crianças para os malefícios do tabaco. Depois de todos os conselhos dos adultos, as crianças entregavam uma brochura que dizia “You worry about me. But why not about yourself?”. RESULTADO: Quase todos os adultos deitaram o cigarro fora. Mas nenhum deitou fora a brochura. Ora vejam o vídeo:

 

Esta campanha – que até já foi considerada uma das mais eficientes ações de anti-tabagismo no país – fez-me pensar como as mensagens trazidas pelas crianças «tocam» tanto os adultos. Crescemos a ouvir dizer “não te metas nas conversas dos adultos”, mas a verdade é que quando se trata de campanhas de sensibilização as crianças parecem ter muita influência na mensagem.

Não é novidade para ninguém que criar ligação emocional é fundamental para campanhas de marketing eficazes. Daí que muitas vezes, as «grandes» mensagens despertam mais atenção quando são trazidas por «pequenos» mensageiros. Foi isso que fez a Sociedade Ponto Verde quando, em 2005, no âmbito da campanha Enganos, lançou em Portugal um spot para televisão com crianças:

 

Outro exemplo é a de uma campanha publicitária no México que usa atores de palmo e meio caracterizados como traficantes, sequestradores, assaltantes, empresários e polícias corruptos (como podem ver no vídeo abaixo). O anúncio, produzido por uma empresa de seguros juntamente com entidades privadas e universidades particulares do país, traz à luz da ribalta os temas que mais afligem a sociedade mexicana, o que causou muita polémica no país.

 

Esta campanha traz uma mensagem contra a violência no país, que já levou à morte de milhares de pessoas, e era dirigida (principalmente) aos candidatos presidenciais às eleições marcadas nesse ano. Na Finlândia, a organização dedicada à responsabilidade parental Fragile Childhood também desenvolveu uma campanha para alertar os pais para os «monstros» em que se tornam aos olhos dos seus filhos quando estão alcoolizados. Durante 60 segundos vemos crianças assustadas que convivem com palhaços, coelhos gigantes, zombies, assaltantes e a própria morte: