As embalagens como fatores chave de compra

Nos últimos tempos tenho-me apercebido da tentativa de algumas marcas em serem criativas com as embalagens dos seus produtos de forma a acrescentar valor para o cliente, conjugando design e utilidade.

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Falo da Nescafé que apresentou uma tampa que também é despertador. Para «revolucionar» a experiência de beber café, a Nescafé converteu a tampa da sua embalagem de café num relógio-despertador, que só desliga com a abertura da embalagem (ver vídeo)… uma boa forma de dizer “Desperta com Nescafé”!

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E a marca de água francesa Vittel que surpreendeu com uma tampa de garrafa que nos «avisa» quando temos beber água. Sabendo que as pessoas têm uma vida tão agitada, que até se esquecem de beber água, a Vittel avançou com uma tampa que nos lembra de beber água a cada hora. Ora vejam no vídeo abaixo como funciona:

“Muitas vezes o acto de compra é decidido não pelo produto mas pela sua embalagem (…)”, já dizia Luís Rasquilha no seu ebook Gestão de Clientes e CRM (2008). Posto isto, neste mundo concorrencial, onde procurar valor? Precisamos de olhar com novos olhos para as coisas que já estão à nossa volta… Porque é que uma tampa não pode ter outras utilizações?! É neste ponto que a Nescafé e a Vittel marcam a diferença.

E vocês? Que outras utilizações dariam a uma tampa?

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Nada combina melhor do que sapatos e maquilhagem

A um sábado de manhã dei com uma sapataria com as portas fechadas, mas com (muitas) pessoas lá dentro… Havia mulheres sentadas à volta de umas mesas, voltadas para alguém que lhes falava de pé. Percebi depois, por um cartaz afixado na porta, que se tratava de um Workshop de maquilhagem. É isso mesmo, estava perante um Workshop (de maquilhagem) em plena loja comercial (sapataria). Passei por uma daquelas sensações, tipo de quem bebe Coca-Cola pela primeira vez, “primeiro estranha-se, depois entranha-se”.

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Tinham encontrado ali a «combinação perfeita». Afinal, quando se trata de mulheres, nada combina melhor do que maquilhagem e sapatos. Parece-me mesmo um conceito a replicar. Já estou a imaginar Workshops de Origami em Papelarias, ou Workshops de Cake Design em Lojas de brinquedos para crianças, ou até Workshops de Organização de Eventos em Lojas de vestidos de noiva.

Não sei se esta ideia surgiu de forma aleatória ou se houve por detrás um estudo das necessidades e dos desejos dos consumidores da sapataria em causa mas, a verdade é que, no final de contas, acabou por se adequar às características dos seus «principais compradores» … E é um momento que pode ser aproveitado para interagir com os consumidores (conhecê-los mais e melhor). Ademais, parcerias como esta (onde se dão sinergias operacionais) são vistas como vantagens valorizadas pelos consumidores, uma vez que lhes proporcionam «momentos especiais»… são “aquele bocadinho mais de serviço” que Tom Hopkins falava no seu livro Como vender em tempos de crise.

E vocês? Que «combinação» fariam?

As potencialidades do pacote de açúcar como suporte de comunicação

Num destes dias saí para beber um café (um daqueles hábitos rotineiros) e ao abrir o pacote do açúcar (Buondi Café – Grupo Nestlé) reparei que num dos lados tinha publicidade ao chocolate Toffee Crisp (também do Grupo Nestlé)… “Está de volta!”, era esta a mensagem principal que se pretendia comunicar.

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Percebe-se que, depois de responderem a questões como “Qual é a mensagem a transmitir?”, “A quem a mensagem deve chegar?” e “O que se pretende com isso?”, encontraram no pacote de açúcar «a forma» de o transmitirem.

Perguntei-me quantas pessoas não terão ficado com vontade de comer um chocolate Toffee Crisp para acompanhar o cafezinho… Não vá a Nestlé querer lançar um novo hábito: “Ora, sai um café e um Toffee Crisp!”, em vez da conjugação tradicional “bica e Pastel de Nata”. Fez-me recordar até a ação da Delta Cafés para o Dia dos Namorados em 2013, ao mudar a cor dos grãos de açúcar… eram «avermelhados» nesse dia. Uma tentativa de a marca espalhar «doçura» no São Valentim traduzida pela mensagem “A vida precisa de mim apaixonado”. Porque uma grande marca sabe apelar às emoções!

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Sei que isto não é uma novidade mas nunca é demais lembrar que, são «pormenores» como estes que nos mostram as potencialidades de um simples pacote de açúcar como suporte de comunicação.

E vocês? Têm experiências (doces) destas para partilhar?

Importância estratégica de uma gestão focada nos clientes

Sou da geração do e-mail e da SMS e sempre que tenho de recorrer ao serviço dos CTT sinto uma enorme «confusão interior»… Olho para um envelope como a minha avó olha para o ecrã de um computador ou de um telemóvel. Mas a verdade é que até gosto de ir aos CTT da minha área de residência. Das poucas vezes que lá tive de ir, as colaboradoras foram sempre simpáticas, acolhedoras, prestativas e (apercebi-me hoje!) sabem como gerir a relação com os clientes.

Hoje, enquanto esperava para ser atendida, ouvi uma colaboradora a sugerir a um senhor (que aparentava ter os seus 50 anos e ser da classe média baixa) que comprasse uma cautela para a Lotaria Clássica de São João… “São 5 euros para poder ganhar 600 mil”, disse ela. E o senhor aprovou com um “Vamos lá ver, então”. Chegada a minha vez, fiz o meu pedido, preenchi os dados requeridos, efetuei o pagamento e, quando já pensava em formas de recusar delicadamente a cautela, «levei» com um “Olha, amanhã vamos ter cá o Francisco Moita Flores numa sessão de autógrafos. Este é o seu último livro, podes dar uma vista de olhos se quiseres…” (apontando para o livro). Assim, a colaboradora conseguiu estabelecer uma «relação pessoal» comigo, falando na minha «linguagem» e dando-me informação (que considerou) de valor para mim.

Ainda me explicou que, no recibo tenho um código para poder consultar no website dos CTT o estado do objeto que enviei. Isto só mostra conhecimento do comportamento de utilização do serviço e do comportamento de recolha de informação dos consumidores.

No fundo, nota-se uma preocupação em entender o consumidor para se lhe adaptar (e para o influenciar).

E vocês? Têm experiências (boas) destas para partilhar?

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