A geração dos filhos da criatividade

CRIATIVIDADE. Foi esta a palavra que me levou a escrever este pequeno «desabafo». Sim, esta coisa da criatividade que se «entranhou» de tal forma em nós que já nem deixa as conversas de café.

A criatividade tornou-se a palavra da moda, como a Zumba é agora a modalidade da moda (ou já será o Twerk), ou como os batidos verdes a tendência alimentar. Arrisco-me1 a dizer que a palavra “criatividade” está para a pergunta “O que é preciso?”, como a palavra “interessante” está para a pergunta “O que achou?”! Agora em tudo vemos criatividade, e atenção que com isto não estou a dizer que a criatividade não é “uma coisa boa”. É só que me parece que já andamos todos um pouco «inebriados» com tanta criatividade e esquecemo-nos de que não é só colocar uma ideia já existente de pernas para o ar; as ideias devem ter alguma aplicabilidade/utilidade… E assim, começa as «escapar-nos» que a criatividade mais genuína, aquela que surge do improviso, verdadeiramente engenhosa, está mesmo dentro das nossas casas… Nas nossas mães! E falo com conhecimento de causa.

Há uns dias, a minha mãe conseguiu acabar com aquela coisa desagradável das portas a bater em casa (quem nunca ouviu da sua mãe “Cuidado com as portas!” ou “Não batas com as portas!”?!), com a simplicidade e a criatividade que não lembra nem aos melhores criativos… Alheia ao facto de que Portugal é o maior produtor mundial de cortiça e de que os objetos de cortiça são uma tendência da moda, ela pegou numa rolha de cortiça de uma garrafa que estava lá por casa, cortou-a ao meio na longitudinal e voilá… fez um limitador para portas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

 

 

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

 

 

Assim, pode escolher a abertura da porta e pode retirar quando quiser e colocar noutra porta (e não há aquele inconveniente de pisarmos e nos magoarmos como quando os limitadores estão fixos no chão)… Além de que estamos a reaproveitar/reutilizar um objeto que iria para o lixo. E é por isso que as mães são um “grupo” a seguir.

E vocês? O que é que as vossas mães andam a fazer aí por casa?

 

1Sim, é um risco; não vá alguém pensar de forma diferente.

Anúncios

O papel de Cinderela é para os clientes

Andava eu um dia destes a passear numa rua de comércio tradicional quando os meus olhos foram «atraídos» por uns sapatos em muito mau estado, rotos até. Isto não tem nada de estranhar (dirão vocês!), não estivesse eu a olhar para os sapatos de uma funcionária de uma sapataria! É que o mínimo que se poderia esperar no atendimento aos clientes de uma sapataria seria que os seus colaboradores estivessem «bem calçados».

Sapato-Cinderela

O mesmo poderia dizer de um salão de cabeleireiro onde as colaboradoras andam com o cabelo todo desmazelado… Afinal, as pessoas que estão no atendimento ao cliente são a “cara” do negócio. Que imagem transmite uma sapataria onde os seus funcionários andam com sapatos rotos ou um salão de cabeleireiro onde a pessoa que nos vai arranjar o cabelo é que precisa de um «arranjinho»?! O que pensariam vocês desta sapataria e deste cabeleireiro? Mesquinhos ou não, estes (pequenos) fatores acabam por ter influenciam no nosso processo de decisão de compra/comportamento de consumo. Na falta de um “selo de confiança”, como podem os comerciantes despertar o nosso interesse?

E vocês? Já passaram por experiências (desmazeladas) como esta?