A integração das marcas no negócio dos gostos

No outro dia andava pela rua e passei por uma loja da Robbialac, um casal ia à minha frente e o marido diz “Olha aqui as tintas do Querido mudei a casa!”. Pois é! É que nem foi “Olha aqui as tintas que usam no Querido mudei a casa!”. (Para quem ainda não sabe, o Querido mudei a casa é um programa de remodelação de espaços com bastante notoriedade na televisão portuguesa.) E isto fez-me pensar no poder da inclusão de bens e serviços em programas de televisão de referência, ou em outros meios até. No caso do Querido mudei a casa temos a identificação do patrocínio e a colocação de produto/ajuda à produção. E claro que as marcas conseguem ter mais visibilidade (ou melhor dizendo, uma outra visibilidade) ao associar os seus produtos/serviços a programas apelativos.

Tudo isto me fez lembrar de um documentário que vi há uns dias no programa Observatório do Mundo da TVI24 sobre a geração dos likes, que falava daqueles adolescentes com milhares (senão milhões) de seguidores no Youtube que estão a chamar a atenção das marcas. Os adolescentes estão a conquistar o YouTube, criando vídeos com grande sucesso no canal, chegando a alcançar o estatuto de vedetas/famosos. Os chamados YouTubers querem mesmo trabalhar com marcas; falo de acordos para integração das marcas nos seus vídeos. Está a tornar-se numa tática para marcas que querem ser vistas como cool por exemplo, ou para marcas com produtos de nicho.

Dou-vos o exemplo de um rapaz de 24 anos chamado Tyler Oakley (com mais de 5 milhões de subscritores no seu canal do YouTube) que já trabalhou com marcas como Pepsi, MTV, Taco Bell… e ele simplesmente coloca vídeos nos quais fala sobre coisas e responde a perguntas que lhe são enviadas pelos fãs (sim, fãs imaginem!). Ou o jovem Steven Fernandez (atualmente conhecido como Baby Scumbag) que nunca imaginou o sucesso que ia ter quando começou a colocar no YouTube os vídeos das suas proezas em cima de um skate. Não tardou muito para a marca de artigos de skateboard Primitive olhar para ele com outros olhos, se é que me entendem!

Em vez de venderem os produtos ao público adolescente, as marcas colocam os próprios adolescentes a «venderem» os produtos. As marcas perceberam o valor que tem hoje em dia quando um adolescente diz aos seus amigos/seguidores “Eu gosto disto!”, “Eu gosto daquilo!”. É a mistura perfeita entre cultura e comércio.

Jason Calicanis é um empresário e bloguer que neste documentário falou sobre como as marcas se estão a ajustar ao mundo digital no sentido em que, como explicou, “audience equals power”. “The bigger your audience and the deeper your connection with it, the more opportunity you’re going to have in your life.”, disse Calicanis (mais declarações aqui). Neste documentário ficou claro que as marcas estão mesmo à procura de oportunidades para tirar vantagem das grandes audiências destes jovens YouTubers, e assim fazer dinheiro. Em última análise, basta vermos o filme “The Hunger Games”, e aí temos retratada “a economia dos gostos”!

E vocês? “Gostam disto?”

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